A Busca Pela Essência

A Busca Pela Essência

Capítulo  V

 

"Não procures Deus nos templos de pedra e de mármore, 

ó homem que o queres conhecer e sim, no templo eterno 

da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrer o 

Infinito, nos esplendores da vida que se expande 

em sua superfície, na vista dos horizontes variados: 

planícies, vales, montanhas e mares que a 

tua morada terrestre te oferece." 

(O Grande Enigma – Léon Denis).

 

           Primeiramente vejamos: Que é Deus? Onde e como encontrá-lo?  Eu Sou!  Eis o primeiro nome de Deus em hebraico. "Eu Sou caminho e rota, Verdade e Palavra, Vida e Existir".  Iahvéh, Brahma, Alá, Jeová, o Divino, o Onipotente, o Eu Superior, o Arquiteto do Universo, o Grande Foco..., A Força Criadora que preenche o Universo é Deus? Se todos os nomes que o Homem criou para identificar e falar com Deus representam  a mesma coisa, não sei! Mas, também não sei exatamente como um telefone funciona, o que não impede atender ou fazer uma ligação.

  • Se estudamos as Leis da Natureza, se procuramos o princípio das verdades morais que a consciência nos revela, se pesquisamos a beleza ideal em que se inspiram todas as artes, em toda parte e sempre, acima e no fundo de tudo, encontramos a ideia de um Ser superior, de um Ser necessário e perfeito, fonte eterna do bem, do belo e do verdadeiro, em que se identificam a lei, a justiça e a suprema razão, encontramos DEUS! (Livro “Depois da Morte” - Léon Denis).

    A partir do instante e da forma pela qual, através das Igrejas Deus foi apresentado aos fiéis, criou-se, quiçá involuntariamente, uma distância infinita, uma possibilidade vaga e incerta de comunicação entre o Pai nosso que estás no Céu e os filhos da Terra. Mas, a partir do momento em que a Ciência começou a decifrar grande parte dos enigmas do Universo, dos Mistérios de Deus, não mais foi possível resumir nossa capacidade de entendimento quanto à existência, morada e forma de ligação com o nosso Criador, a uma restrita visão dos códigos literários bíblicos.

    Hoje, pressionados pela panorâmica científica e as exigências do Homem contemporâneo, as mesmas crenças religiosas que instalaram uma verdadeira miragem, uma distância infinita entre o Criador e a Criação, buscam de várias formas, desfazer o equívoco na tentativa de manter seu rebanho crente de que, Deus está bem mais próximo e presente.

    Juntando as informações natas às descobertas científicas, podemos, a cada amanhecer, abrir novas páginas de um livro vivo e atualizado da nossa existência e perceber a íntima ligação com a Origem Divina. Nas páginas da bíblia da vida, Deus se revela em todos os quadrantes. No ar que respiramos, na luz do sol, nas noites, nos dias e, a cada momento, podemos ouvir a Sua voz pelo som que se propaga; sentir a Sua essência nas diversidades dos perfumes da natureza; ver a Sua imagem nas formas; contemplar a Sua beleza nas cores e harmonia do Universo. Enfim é possível pressentir Deus aqui, bem perto, sem a necessidade de localizá-lo em um vago e distante local do Céu.

    Atualmente, o respaldo científico põe ao alcance de todos, conhecimentos que ampliam a capacidade da inteligência humana. As mentes observadoras reconhecem a presença de Deus na admirável harmonia das coisas, mediante as quais, tudo na Natureza é solidário e esta, sabiamente disponibiliza um conjunto de livros, uma verdadeira e atualizada bíblia que, a cada alvorecer, oferece uma nova página para que possamos, nela, escrever a história da nossa Vida.  Através desta bíblia, O Pai, todos os dias, nos fala por todas as vozes, formas, aromas, sons e cores do Universo. As páginas reveladoras da Bíblia Universal levam a crer, ser Deus, um Ser Eterno, um Corpo de Luz inteligentemente manifesto em tudo e em todos.

    Quanto à ligação entre Criador e Criação, Elizeu F. Mota Júnior, autor do livro “Que é Deus?” vem ao nosso encontro. Segundo ele, Allan Kardec oferece uma imagem analógica admirável que facilita tal entendimento:

  • O Homem é um pequeno mundo que tem como diretor o seu Espírito e como dirigido, o seu corpo. 
  • Nesse micro universo, o corpo (o dirigido) representará uma criação cujo Deus seria o Espírito (o diretor). (Compreendei bem que aqui há uma simples questão de analogia e não de identidade). Os membros desse corpo físico, os diferentes órgãos que o compõem como os músculos, os nervos, as articulações são outras tantas individualidades materiais, se assim se pode dizer, localizadas em pontos especiais do referido corpo.
  • Se bem seja considerável o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente, a ninguém é lícito supor que se possa introduzir no corpo, movimentos, ou uma impressão em qualquer lugar, sem que o Espírito que habita o corpo, tenha consciência do ocorrido.
  • Se, no corpo há sensações diversas em muitos lugares simultaneamente ( alegria, tristeza, saudade. dores, calor, frio...), o Espírito que o habita as sente todas. Distingue, analisa a cada uma e detecta o ponto em que se produziu. Tudo por meio do fluido perispirítico.
  • Análogo fenômeno ocorre entre Deus e a Criação. Deus sente todas as partes da Criação, como o Espírito do corpo.

  • Todos os elementos da Criação se acham em relação constante. Deus, corpos, espíritos, como todas as células do corpo se acham em contato imediato com o Espírito que habita  o corpo.  Não há, pois, razão para que fenômenos da mesma ordem não se produzam de maneira idêntica, num e noutro caso. 
  • Assim, quando um membro do corpo se agita o Espírito o sente;  quando uma criatura pensa, Deus o sabe
  • Todos os membros do corpo estão em movimento, os diferentes órgãos estão a vibrar: O Espírito sente todas as manifestações, as sensações internas e externas as distingue e localiza pois ele está inserido no corpo.  
  • Da mesma forma: as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente: Deus sabe o que se passa com cada uma, o que lhe diz respeito.

    Considerando o Universo o corpo de Deus e a Criação parte integrante, as coisas no Universo são uma unidade, uma continuidade atuante em uma majestosa rede divinamente tracada.  Esse entendimento remete a compreensão de que: Criador e Criação encontram-se genuinamente entrelaçados na mesma rede energética e sob o comando de uma Inteligência Prima.  Cada pensamento, cada sentimento, cada emoção, cada batida de um coração, o menor gesto e desejo gera vibrações energéticas específicas, através das quais, Deus sabe exatamente tudo o que se passa. Nada ocorre sem o Seu conhecimento.

 

ESTARÁ DEUS, POR TRÁS DOS INFORTÚNIOS 

DA HUMANIDADE?

  •  “Qual  de  vós  porventura  é  o  homem  que,  se  o  filho lhe   pedir   pão,  lhe   dará   uma  pedra? Ou   porventura   se   lhe   pedir   um   peixe    lhe dará   uma  serpente?  Pois  se  vós  outros sendo maus, sabeis  dar  boas  dádivas  a  vossos  filhos, quanto mais nosso Pai, que está nos céus”.... (Mateus-7:9)

    Ainda que perdure em alguns segmentos religiosos o fanatismo doutrinário que entorpece, parte considerável da Humanidade já desperta para uma nova visão sobre  Deus, do Universo, da Criação e, mais atento, se recusa a alimentar a ideia de um Pai infinitamente distante, vingativo, que descrimina e se mantém indiferente aos anseios  e sofrimentos de seus filhos.

    Antes de questionar e apontar supostas preferências ou injustiça por Ele cometidas, devemos acertar o foco da luz interior e analisar, de vários ângulos, os conceitos e crenças que construímos. Restauradas as lembranças, abrir os compartimentos que abrigam as nossas dúvidas e valorizar as questões que consideramos importantes é ponto fundamental. No meu caso, as perguntas e questionamentos fluíram desta forma:

  • Seria Deus a Suprema Justiça e Amor se julgasse e condenasse seus filhos pelos atos cometidos pelos pais, avós, tataravôs (Pecado Original) ou em uma única existência de vida, na qual as condições de cada um são completamente diferentes? Todos sabem que nenhum pai planejaria gerar um filho para destiná-lo ao sofrimento, miséria, desgraças e tampouco à eterna ignorância.
  • Que pai seria Deus se após a morte, acolhesse somente os filhos bons no Lar Celestial e destinasse os rebeldes, indisciplinados ou maus por ignorância quanto às Leis da Vida, às torturas eternas de um inferno, sem oportunidade de reabilitação? Seria esta a forma de conceituar Deus?
  • Por outro lado, serão desígnios da Providência Divina e condições necessárias para a evolução dos filhos, as doenças, as fatalidades e as desigualdades? Os sofrimentos e as desgraças são mestres educadores, ou chicotes com os quais nos autopunimos pelos deslizes dos pensamentos e atos conscientes?
  • Por ventura, são as dores morais que se revelam em forma de infortúnio e, as virtudes, o sinônimo do sagrado cultivo dos preceitos de Cristo, resultando em uma vida saudável, feliz e harmoniosa? Por este ângulo, podemos compreender melhor o que é Deus e o que for dito que não O caracteriza um Ser de suprema justiça, não representa a verdade; trazendo as lembranças das histórias que aprendemos no catecismo, onde se comparava Deus a um ancião sisudo, de barba branca, nas mãos o cajado ameaçador, ditando ordens ou lavrando sentenças.

 

AS DORES SE APRESENTAM SOB DOIS ASPECTOS

  • A Dor Física - Determina sensações desagradáveis e penosas. Põe fim aos desmandos da intemperança e a todos os arrastamentos de animalidade a que o Homem se entrega na satisfação insaciável dos sentidos. Em busca da saúde perdida, vemo-nos na necessidade de nos submeter às leis de higiene interior, cujos preceitos são Mandamentos Divinos.

   

  • A Dor Moral – Gera sentimentos que despertam nos corações, ao lado das mais puras e santas emoções, as mais belas virtudes e estas, promovem o desenvolvimento das sementes do Bem que todos trazem dentro de si, fazendo com que, tudo que é bom e belo, cresça e frutifique. O sentimento nobre é a manifestação do esplendor da Centelha Divina, que ilumina, anima e vivifica o Espírito, ou, para melhor dizer é a Essência, a Força do próprio Espírito. 

    

  • A dor moral funciona como sopro que acorda o sentimento, tal qual a aragem ressuscita a brasa amortecida  sob espessa camada de cinza.  Mas, porque sofrem todos neste mundo? Os injustos sofrem para se regenerar e os justos e os santos, para que melhor se justifiquem e mostre sua verdadeira luz, tal qual um brilhante que só revela seu verdadeiro brilho, após passar por um polimento... (Matéria de Milton Luz).

       O desejo do Homem em se livrar da dor acelerou notáveis descobertas nos setores do conhecimento. Quase sempre ela é considerada um mal, mas pode ser vista como um Mal que imobiliza para dar oportunidade à reflexão que orienta e disciplina, que desperta a Fé não somente do enfermo. Familiares, parentes e amigos são movidos pelos mesmos sentimentos e preocupações. O momento da Dor leva a analisar os fatos e, por meio de um entendimento racional, acelerar o crescimento da consciência. Mas a Dor não faz parte dos Códigos Soberanos. Deus não impõe dor para a evolução dos seus filhos. É o reflexo da ignorância espiritual e existirá enquanto o Espírito permanecer na rebeldia, no egoísmo, no materialismo e indiferente ao mecanismo que rege o Universo e a Vida!

      Na medida em que o Homem desenvolve intelecto-moral, adquire valores e conhecimentos que o habilita a entender melhor a mecânica da qual faz parte, isto porque, a dinâmica do Universo possibilita tal compreensão. Na concepção reencarnacionistas, a dor é tão somente a cura da Alma. As dores e as dificuldades que se apresentam no decorrer da vida, devem ser consideradas não como a mão que castiga, mas a do mestre que ensina a ciência do bem-viver. Entretanto, para entendê-las como benéficas, há de ser levado em conta o contínuo processo evolutivo do Ser, que permite drenar, expurgar através da dor, a energia que entorpece a Alma, gerada pelo livre arbítrio.

 

    Devemos buscar no fundo da nossa consciência, o ponto de partida dos males que causam dor. 

Quando a Humanidade estiver ajustada aos preceitos da vida equilibrada

e consciente de todas as obrigações evolucionárias, 

dispensa a pedagogia do sofrimento e aceita o 

trabalho na forma de missão educativa. 

 

 

 

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