Equilíbrio Perfeito

Equilíbrio Perfeito

Capítulo XXXI 

 

  • Por um minuto, esqueça a poluição do ar e do mar, a química que contamina a terra e envenena os alimentos e medita: Como anda o teu equilíbrio ecobiológico? Tens dialogado com teus órgãos internos? Acariciado o teu coração? Respeitas a delicadeza do teu estômago? Acompanhas mentalmente o fluxo sanguíneo? Teus pensamentos são poluídos? As palavras ácidas? Os gestos agressivos? Quantos entulhos, mágoas, ira, inveja se amontoam em tua Alma? 

 

  • Examina a tua mente. Ela está despoluída de ambições desmedidas, preguiça intelectual e intenções inconfessáveis? Teus passos sujam os caminhos de lama, deixando um rastro de tristeza e desalento? Teu humor intoxica-se de raiva e arrogância?

 

  • Onde estão as flores do teu bem-querer, os pássaros pousados em teu olhar, as águas cristalinas de tuas palavras? Porque o teu temperamento ferve com frequência e expele tanta fuligem pelas chaminés de tua intolerância? 

 

  • Não desperdiça a vida maculando a tua língua com nódoas de teus comentários infundados sobre a vida alheia. Preserva o teu ambiente, investe em tua qualidade de vida, purifica o espaço em que transitas. Limpa os teus olhos das ilusões desmedidas do poder, fama e riqueza, antes que fiques cego e tenhas os passos desviados para a estrada desmoralizada dos rumos da ética. É cheio de buracos e podes enterrar o teu caminho num deles.

 

  •  Tu és como eu, um ser frágil, ainda que julgues fortes os semelhantes que merecem a tua reverência. Somos todos feitos de barro e sopro. Finos copos de cristal que se quebram ao menor atrito. Uma palavra descuidada, um gesto que machuca e uma desconfiança que perdura. Graças ao espírito que molda e anima o teu ser, o copo partido se reconstitui inteiro, se fores capaz de amar. Primeiro a ti mesmo, impedindo que a tua subjetividade se afogue nas marés negativas. Depois, aos teus semelhantes, exercendo a tolerância e o perdão, sem jamais sacrificar o respeito e a justiça. Livra a tua vida de tantos lixos.

 

  • Atira pela janela as caixas que guardam mágoas e tantas fichas de tua contabilidade com os supostos débitos de outrem. Vive o teu dia, como se fosse a data de teu renascer, para o melhor de ti mesmo e os outros te receberão como dom de amor. Pratica a difícil arte do silêncio. Desliga-te das preocupações inúteis, das recordações amargas, das inquietações que transcende o teu poder. Recolhe-te no mais íntimo de ti mesmo, mergulha em teu oceano de mistério e descobre, lá no fundo, o Ser vivo que funda a tua identidade. Guarda este ensinamento: “Por vezes é preciso fechar os olhos para ver melhor”. Não sofra por dar valor ao que não merece importância.

 

  • Trata a todos como igual, ainda que estejam revestidos ilusoriamente de nobreza ou se mostrem realmente como seres carcomidos pela miséria. Faz da justiça o teu modo e luta para que todos os caminhos sejam aplainados, até que a espécie humana se descubra como uma só família, na qual todos, malgrado as diferenças, tenham iguais direitos e oportunidades. 

 

  • Faz de cada segundo de teu existir, uma oração e terás forças para expulsar os vendilhões do templo, operar milagres e disseminar a ternura como plenitude de todos os direitos humanos. Ainda que esteja cercado de adversidades, se preservares a tua ecobiologia interior serás feliz, porque trarás em teu coração, tesouros indevassáveis.(Frei Beto Rrevista Bem Público- Edição 13 – maio/2007).
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