Mistérios e Milagres

Mistérios e Milagres

Capítulo XXII

 

        Os denominados milagres de Jesus desafiam até hoje as explicações científicas e fascinam a todos devido à grandeza de seus atos. Para a doutrina espírita, milagres não existem, pois nada foge as leis naturais, o que vem ao encontro das palavras do próprio Divino Mestre: “Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”. “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas…”

    O livro da codificação espírita, A Gênese, ressalta que os fenômenos nos quais o elemento espiritual tem parte preponderante, não podem ser explicados apenas pelas leis da matéria. Talvez, o grande desafio ainda seja desvendar o que os “milagres” significam e o que podem ensinar sobre a VIDA e a PERFEIÇÃO DIVINA.

        Quanto aos milagres relatados nos Evangelhos, o livro "O Sublime Peregrino" ditado pelo espírito Ramatís, faz comentários importantes: “O Mestre realizou inúmeras curas e renovações espirituais que não devem ser consideradas milagres, mas sim, resultantes de suas faculdades mediúnicas. Em virtude de sua elevada hierarquia espiritual e da incessante cooperação das entidades angélicas que o assistiam, tudo o que ele realizava, nesse sentido, embora tido por miraculoso, era apenas conseqüência da aplicação inteligente das leis transcendentais”.

        Quando Jesus curava um enfermo, dizia: “tua fé te salvou”, do que se deduz que existiram pessoas que não foram curadas. Mas isso não é narrado pelos evangelistas pois o interesse era narrar fatos que exaltassem Jesus. Hoje, com o conhecimento sobre a mediunidade, ectoplasmia e outros fenômenos mediúnicos é possíveis compreender melhor as curas de Jesus.

        O estudo da mediunidade, da ectoplasmia, tem trazido muitos esclarecimentos no sentido de desvendar e entender os acontecimentos considerados sobrenaturais na Bíblia e certificar-se de que são fenômenos naturais mediúnicos. A transfiguração é um exemplo de um fato mediúnico, quando no Monte Tabor materializaram-se os espíritos Moisés e Elias, presenciado também pelos apóstolos e médiuns especiais como João, Pedro e Tiago.

        Os comentários de padres e pastores sobre esse episódio bíblico, não correspondem a verdade, pois acentuam até a exaustão que a roupa de Jesus era branca como a neve e que brilhava como o sol; no entanto, fazem silêncio sobre o principal, ou seja, o verdadeiro fato mediúnico que ocorreu. Lembremo-nos de que, sabendo Jesus que a Lei de Moisés (não a de Deus) proibia a comunicação com os espíritos, solicitou aos três apóstolos segredo sobre o que haviam presenciado. Recordemos que a própria proibição de Moisés, quanto à comunicação com os espíritos (Deuteronômio, capítulo 18), prova que a comunicação existe, de fato. 

        Mistérios outrora qualificados como milagres, hoje são fenômenos explicáveis. Evaldo Kulcheski-Portal IPPB-Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas acesso em 20/04/2007 aponta que as propriedades do Perispírito mensionadas no capítulo anterior, podem revelar-se de várias formas:

  • Visibilidade - Por meio de uma espécie de condensação, o Perispírito, normalmente invisível, pode se tornar perceptível à visão humana.(Casos de materialização).
  • Tangibilidade - O Perispírito pode chegar a adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, porém, conserva a possibilidade de retomar instantaneamente seu estado invisível.
  • Transfiguração - Admite-se que o Espírito pode dar a seu Perispírito toda a aparência que desejar, através de uma mudança no aspecto geral da fisionomia ou de uma aparência luminosa. Isso pode acontecer com o perispírito tanto de uma pessoa desencarnada como de uma encarnada, não isolada do corpo, mas se irradiando ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo como um vapor, podendo mudar de aspecto, se esta for a vontade de do Espírito.
  • Penetrabilidade - Matéria alguma lhe opõe obstáculo, pois as atravessam todas, como a luz faz com corpos transparentes.
  • Emancipação - Ela acontece através do sono e do desdobramento mediúnico.
  • Bicorporeidade - O espírito de uma pessoa encarnada recobra parte de sua liberdade isolando-se parcialmente do corpo. Seu Perispírito, ao adquirir momentaneamente a tangibilidade, aparece em outro local, tornando-se presente fisicamente em dois lugares ao mesmo tempo e se mostrando com todas as aparências da realidade. Nesse estado, o corpo físico jamais estará normal, mas de uma forma mais ou menos estática.

        Relatos extraídos da história eclesiástica, falam sobre o fenômeno hoje denominado bicorporeidade ocorrido com Santo Afonso e Santo Antonio de Pádua:

  • Santo Afonso de Liguori  foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre.
  • Santo Antônio de Pádua, que estava pregando na Itália quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua.

        Dentre as múltiplas propriedades do Perispírito, em “O Mensageiro - Revista Espírita do Terceiro Milênio, Carlos de Brito Imbassahy, engenheiro e professor de Física, articulista e escritor de vários livros, discorre sobre os fenômenos da morte e cremação do corpo de um suicida e como se dá o desligamento do Perispírito da matéria (corpo físico):

  • O que pode acontecer ao Perispírito de um suicida, quando, dois dias depois da morte seu corpo é cremado? Como se dá o desligamento? 
  • Para responder esta pergunta temos que nos servir dos depoimentos mediúnicos dos suicidas. Eles nos informam que, após o ato tresloucado, o Espírito fica preso à vida terrena, padecendo num compasso de espera até que complete o período encarnatório, encurtado pelo suicídio. Assim sendo, se o Espírito estiver vinculado ao corpo, tanto faz ser ele cremado como enclausurado numa cova, irá sofrer os tormentos da carne que se refletirão, através do Perispírito, sob forma de sofrimento. Cremando, o corpo se destrói e ele se libera mais rapidamente, apesar de se supor que ele sofra as agruras da sensação da pira reduzidora de seu corpo. Caso contrário, apenas sofrerá as mazelas de um suicida, dependendo de seus débitos. Quanto ao desligamento, é doloroso. Afinal, a programação não lhe permitiria interromper a vida àquela altura. E nenhuma outra Entidade pode fazer nada pelo suicida, enquanto não completar o interstício de  vida. Cada caso apresentará sua peculiaridade. Não há uma regra geral.
 
  • O que acontece com o Perispírito de um Espírito quando ele vai reencarnar? Um novo Perispírito é formado durante o processo reencarnatório?
  • Tudo indica que o Espírito lançará mão dos campos perispirituais correspondente a cada necessidade vivencial. Isto é, se ele tiver uma encarnação em determinado sexo, deverá pôr em jogo os campos energéticos correspondentes a este sexo, recolhendo o que corresponda ao outro, a fim de que não misture o processo e não se degenere. O que é posto em jogo são os campos perispirituais modulados pela aludida necessidade. Não se pode dizer que se trate de um novo Perispírito, senão que só se estrutura a forma perispiritual correlata ao corpo somático em tela. Sendo o Perispírito de natureza material, podemos dizer que ele também morre como o corpo físico? Ou ele continua existindo na Erraticidade? Em que condições? Nada prova que o Perispírito seja material. Todas as experiências com espectroscópios que detectaram a influência de campo perispiritual provam que este seja tão psíquico quanto à alma encarnante, sem quaisquer indícios materiais. Evidentemente, sendo um envoltório do Espírito, como o campo magnético o é do imã, ele estará sempre ligado ao Espírito, sem conotações corpóreas, apesar de sofrer suas influências.

        Por sua vez, Hercílio Maes, em “A Sobrevivência do Espírito (Livro), nos dá uma idéia do que seria o retorno (reencarnação) de um suicida, ao mundo terreno: 

  • Assim como o trovão desfere o raio que carboniza as substâncias na atmosfera carregada de eletricidade, os espíritos revoltados, também produzem venenos mentais violentos que os vitimam sob terrível intoxicação e os debilitam - minando-lhes até o senso psíquico de coordenação mental. Sobrecarregam-se de corrosivos produzidos pela mente em rebeldia como produtos da raiva, insatisfação ou do ódio e que, na lei de correspondência vibratória, se condensa e incrusta na superfície delicada do Perispírito, tornando-o terrivelmente enfermo.
  • Durante a reencarnação, o Perispírito sofre automaticamente uma redução até se encaixar perfeitamente na forma fetal, para então despertar aos poucos, desenvolver-se e aglutinar os novos elementos biológicos da linhagem hereditária a que se encontra ligado e que hão de constituir-se no novo corpo carnal.  À medida que vai crescendo o embrião no ventre materno, o Perispírito vai se libertando gradativamente da carga venenosa adquirida por ocasião dos atos insanos, que se transferem para o organismo em formação, para mais tarde, surgir enfermidade em toda a sua eclosão perniciosa. Em certos casos, o reencarnante drena o conteúdo tóxico do seu Perispírito para o novo corpo físico, ainda em vida uterina, resultando que ao nascer, já se apresenta com terrível lesão, enfermidade ou estigmas congênitos. 
  • Em verdade, o corpo é a materialização completa do Perispírito na matriz uterina e se plasma sob o principio atualmente esposado pela ciência, de que a matéria é energia condensada. A carga tóxica transfere-se para o corpo em formação, que depois terá então um instrumento de sofrimento e dificuldades para o seu próprio dono, que será a vítima de suas tropelias e invigilâncias pretéritas. Lesado no sistema circulatório, nervoso, ou linfático, ou enfermo de outros órgãos vitais. Existem casos em que, as perturbações nos plexos nervosos ou na zona cerebral são as responsáveis por angustiosas paralisias, quadros mórbidos de alucinações ou ainda, pelos estados de epilepsia... Justifica-se, então, a existência das caravanas de criaturas imbecilizadas ou portadoras das mais variadas atrofias... A Lei Kármica os alienou aos resultados dos próprios tóxicos e lesões perispirituais que em momento de vingança, geraram contra os princípios harmônicos da vida humana. 

     Um estudo mais atento quanto ao significado suicida chama a atenção e leva à conclusão de que, o ato não se prende somente ao fator tirar a sua própria vida (matar-se). É muito mais complexo e abrangente. A interrupção da vida, motivada por doenças decorrentes dos vícios como o fumo, ingestão de bebidas corrosivas (álcool), drogas ou excesso de alimentação (gula), que resulta em obesidade, saturando o físico com gorduras perniciosas e fatais ou então, a privação consciente de alimentação por vaidade que levar a desenvolver enfermidades como anorexia, bulimia; debilitando o organismo até a morte prematura, caracteriza de alguma forma, um ato suicida. A saúde comprometida com irresponsabilidades representa dano ao patrimônio da vida e deverá ser reparado um dia.

 

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