Viver, aprender, entender e evoluir!

   Viver, aprender, entender e evoluir!

Capítulo  II

 

"Há muitas formas de o ser humano crer em Deus. 

Há, para muitos, o Deus jurídico, o legislador, o 

agente policial da moralidade, que, através 

do medo estabelece a distância da 

verdadeira crença..."

(Albert Einstein)

 

        É difícil reconhecer Deus na figura que os homens fazem. Eu identifico Deus ao contemplar o Universo e a Vida que o preenche. Nasci em família católica de sólida formação moral e o comprometimento dos nossos pais com a educação dos filhos, se revelava nas cobranças diárias. Desde cedo, como dita as normas da igreja, fomos encaminhados às aulas de catecismo para a formação religiosa. No decorrer dos anos letivos, dúvidas de gente grande passaram a povoar a minha mente. No cenário escolar, os temas religiosos eram complexos e exigiam atenção e o mínimo entendimento por parte dos pequenos aprendizes. Perguntar era necessário! As indagações esporádicas efetuadas timidamente não só por mim, tinham como respostas, dúbias informações, malogrando as menores expectativas de uma criança curiosa. 

      O tempo passando e, intimamente, deparei-me a questionar levada simplesmente pela curiosidade e dificuldade em formar um juízo lógico e racional, relacionado às informações que recebia. Conseguiram transformar a "formação religiosa" em "confusão religiosa". Assim, aumentavam as dificuldades em absorver as "estórias" contadas pelos educadores referentes ao céu e inferno; ao purgatório, ao perdão e a punição dos pecados; aos anjos e demônios, aos milagres, a vida e a morte. Esta, descrita como um sono profundo e, para consolo, um despertar programado para o juízo final, quando então, haverá a ressurreição de todos os mortos.

        Os alicerces do conhecimento, indispensáveis para o encaixe na moldura de formação do futuro cidadão, são de relevante importância. Pela complexidade e abrangência dos temas abordados nesta fase de idade, falar às crianças e adolescentes, especialmente sobre milagres, céu e inferno, anjos e demônios, pecados, vida, morte, ressurreição dos mortos..., requer, dos que se propõem a repassar tais ensinamentos, uma considerável bagagem de conhecimento, didática e, sobretudo, sabedoria ao abordá-los.

        Dentre explicações e afirmativas, além dos "dons" concedidos por Deus, a fórmula mágica do perdão dos pecados através de uma simples confissão, intrigava-me sobremaneira. Pensava que esse procedimento continha amparo na convicção de que, por ser Deus um pai infinitamente bom, concedia de certa forma, o direito de pecar. Desde que houvesse confissão seguida de arrependimento o padre, em nome de Deus, tudo perdoava. Confesso que, no íntimo, a situação incomodava e a dúvida cruel se fazia presente. Será? Hó Deus! Será ou não fácil assim? 

          Hoje, a maturidade permite-me avaliar melhor o percentual de responsabilidade das instituições religiosas perante a sociedade e abrir espaço para alguns questionamentos e sugestões: São elas, as Instituições Religiosas um bem... Um mal... Ou não influem na formação dos valores morais, espirituais e éticos da Humanidade? Ignorando que, a cada um será dado conforme a sua obra e não conforme a sua crença e a todos, o direito de buscar e conhecer outras árvores que oxigenam as verdades divinas, pretensos donos da verdade fomentam o racismo religioso afirmando ser a sua a única e verdadeira Igreja de Cristo, detentora da formula mágica da salvação.

 

"A melhor religião é aquela que torna

 a pessoa melhor"

(Allan Kardec)

 

    Se, as instituições religiosas são um bem e, considerando que a grande maioria das pessoas, pelo batismo é vinculada a uma Igreja e, ao longo da vida, fazem questão afirmar pertencer a esta ou àquela religião e que, em cada bairro, existem várias assembleias com propostas de salvação, como explicar o crescente desajuste moral, familiar e social no mundo?

  • Tratando-se de um mal, por que, em cada bairro, geralmente elas são em quantidade e tamanho maiores que as escolas?

  • Não contribuem na formação do caráter, da moral e dos bons costumes dos fiéis e seus ensinamentos, mesmo bem intencionados quanto aos valores da Vida, não conseguiram, ao longo dos séculos, impedir o desenho atual do estarrecedor quadro mundial de jovens delinquentes, pedófilos, estupradores, homens bomba, sequestradores, políticos e empresários corruptos, viciados, abortos... Exatamente para que servem?  

    Estudos mostram que a cada ano, no mundo, são praticados cerca de 41,6 milhões de abortos, revelando o tênue comprometimento das igrejas quanto à formação religiosa - os valores da Vida dos seus seguidores. Formação esta, que deveria abranger um conjunto de regras de condutas e responsabilidades válidas para qualquer tempo e época dos fiéis. A omissão geralmente onera pesados tributos com significativos danos às famílias e a sociedade. 

        Na questão do aborto, dentre os milhões praticados, 35 milhões são realizados nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Segundo pesquisas, somente 6,6 milhões são praticados em países ricos, justamente aqueles que já possuem leis de regulamentação do aborto, juntamente com importantes programas e campanhas educativas voltadas aos valores da Vida, consciência da responsabilidade sexual. Há nas informações educativas, uma ênfase em conscientizar a nova gestante sobre os seus direitos e os direitos da criança em seu ventre. No Brasil, estima-se a prática anual de um milhão e cinquenta mil abortos, efetuados por mulheres jovens e adultas dos mais diversos segmentos religiosos e níveis sociais.

 

O FANATISMO QUE ENTORPECE E MATA

 

Os homens hão de lutar pela religião, hão de polemizar, 

hão de combater, hão de morrer, hão de matar,

 hão de fazer tudo, menos vivê-la. 

(CC Colton)


            O fanatismo leva a crer que os seus códigos de leis são a única fórmula viável e ideal para a salvação da humanidade. Espalhados pelo Mundo, fervorosos religiosos, interpretando à sua maneira os escritos da sua bíblia sagrada, ideais religiosos, transformam-se em homens-bomba matando e morrendo em nome de Deus. Quem os leva a essa crença desastrosa é o fanatismo equivocado de uma religião.

            Analisemos o andar da carruagem dos fiéis brasileiros. Segundo estatísticas, o Brasil conta hoje com uma população que ultrapassa  duzentos milhões de habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ano 2014). Consideram-se católicos, 57% de brasileiros, ou melhor, católico-espírita, isto porque, recentes pesquisas apontam um percentual de 70% dos católicos, fortes simpatizantes da doutrina espírita. O Espiritismo tornou-se a religião ou, pelo menos, a segunda opção religiosa para mais de 40 milhões de brasileiros que, atraídos pela curiosidade ou pelo interesse em conhecer melhor o que, através da Ciência, da Filosofia e da maneira diferenciada de praticar a Religião o Espiritismo tem para oferecer, assistem palestras espíritas, frequentam Casas Espíritas, buscando curas e não dispensam o momento do passe.  Sabe-se também que a grande maioria lê e aprecia a literatura espírita e trazem, como eu, fortemente gravados os ensinamentos da Igreja Católica que, em nome de um Deus infinitamente bom, o padre perdoa todos os pecados.

        Vamos por partes: O que é o pecado senão um ato que vem causar algum tipo de dano? No momento atual podemos apontar como exemplos, a corrupção, a sonegação de impostos, desvios de verbas públicas que seriam destinadas ao desenvolvimento da Nação. Esses pecadinhos, que já fazem parte da vida de muitos, primeiramente enfraquecem a educação e os resultados se mostram nos desajustes das famílias, donde brotam os demais pecados como: roubos, falsidades, assaltos, manipulações, estupros e abortos; pequenas ou grandes infrações, pedofilia, vícios de todo gênero, fortalecendo a decadência familiar e social. 

    Quanto aos Dons de Deus de que muitas pessoas são dotadas, por exemplo: uma bela voz - Lembro que, ainda criança, no dia-a-dia o constrangimento tomava conta de mim sempre que necessitava falar... A voz não saia nítida, a garganta rouca truncava as sílabas e a voz sumia. Isso se tornou um verdadeiro tormento. Adulta, busquei através da medicina e técnica vocal, melhorar a situação. A professora de canto era dona de uma voz lírica. Como não poderia ser diferente, perguntar de que maneira havia desenvolvido tão bela voz foi inevitável. A resposta veio prontamente: Nasci com ela! É um dom de Deus!  Não escondi minha decepção e cabisbaixa, perguntei aos meus botões, qual teria sido a minha infração e em que época teria pecado se o problema iniciou na minha fase de criança? Essas e tantas outras perguntas sem respostas razoáveis, deixavam-me cada dia mais intrigada.

    Confesso que, qualquer história que inclua dons e milagres aumenta a desconfiança. Cultivar ideias lógicas e sensatas sobre os mistérios que envolvem não somente a procedência da vida, bem como dons, milagres, fenômenos, anjos, céu, pecado mortal, inferno; o mecanismo de sintonia entre o Homem e Deus, a forma pela qual a Energia Divina se propaga e age no mundo e nas pessoas; por que e de que maneira esta energia exerce influências internas e externas no corpo dos seres vivos e na mente do Homem, para mim é tão importante, quanto necessário.

 

 

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