Liberdade e Multiplicidade de Escolhas

Liberdade e Multiplicidade de Escolhas

Capítulo  VI            

"Jamais diga: Não conheço isso, portanto é  falso!  

Devemos estudar  para  conhecer, 

conhece para compreender,  

compreender  para  julgar!"

(Autor desconhecido)

 

  •     "A  percepção  do  desconhecido  é  a  mais  fascinante  das  experiência. O homem que não tem os olhos  abertos  para o misterioso, passará pela vida sem nada ver" (Albert Einstein).  

    Para entender e aceitar como verdade o que não tem forma ou não é perceptível aos nossos olhos, ou a Ciência ainda não detectou é necessário soltar as amarras intelectuais e pré-conceituais. Vejamos que liames são esses que insistem em manter a Humanidade alienada - Alguém já viu o vento, o aroma da flor, as ondas do rádio, a energia magnética do imã, um elétron? E Deus alguém o viu? Ninguém viu nada disso, mas como negá-los? 

    Tratando-se de religião e esta fazer parte da vida das pessoas, Francisco Carvalho, em seu livro “Influências Energéticas Humanas” nos leva a refletir. Segundo ele, não há como negar o fato de muitas pessoas, ao se tornarem adeptas fanáticas de uma Igreja ou Sociedade Religiosa, assumem compromisso tácito e explícito com aquele credo. Tais compromissos são, sem sombra de dúvidas, totalmente contrários aos ensinamentos do Ser Crístico² Jesus que, em momento algum, pregou a forma de vínculos religiosos praticada nos dias atuais, considerada por espiritualistas e sensatos estudiosos, verdadeiras amarras intelectuais. Vínculos estes, impedem os homens de ser livres pensadores e, principalmente, expandir seus conhecimentos, compreensão e concordância mediante outras ideias.

    São muitos os modelos religiosos considerados "amarras intelectuais" e que fogem aos ensinamentos do Divino Mestre. Em Mateus 6.6, encontramos referências sobre a forma mais adequada para a prática da religião ou ligação com Deus. Maneira simples e livre das regras limitadoras das instituições religiosa; maneira esta, utilizada e recomendada pelo próprio Cristo: "Mas tu, quando orares, não hás de ser como os hipócritas que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos. Entra no teu aposento, e, fechada a porta, ora a teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê o que passa em secreto, te dará a paga..."

_______________

² - Ser Crístico – Cristo - de origem grega (krestós). Um Ser Crístico adentra nas entranhas da mente Criadora. É um sábio diante do passado, presente e futuro da Vida no Universo.

 

 

Nenhum homem é livre se a sua mente não é como uma porta 

de vai-e-vem, abrindo-se para fora a fim de liberar suas 

próprias ideias e para dentro, a fim de receber 

bons pensamentos de outrem. 

(autor desconhecido)

 

 

    "Livre-arbítrio - Liberdade e Multiplicidade de Escolhas". Em meio às voltas que a vida dá, cada movimento, cada pensamento, atos, palavras, cada tomada de decisão pode desafiar o senso de direção e nos confundir. Em uma bifurcação, a liberdade de escolha corre por nossa conta e risco; o produto final passará a fazer parte do nosso patrimônio Espiritual, ou seja: nossos "bônus ou ônus". A Liberdade faculta a multiplicidade de escolhas; é a independência do indivíduo com um porém: vincula-o fortemente ao fator responsabilidade.

    A quem se propuser soltar os liames do convencionalismo e utilizar, de forma ampla e irrestrita a liberdade de fazer suas escolhas, visando estabelecer uma relação de entendimento com o mecanismo da vida, sugiro que inicie fazendo para si próprio, meia dúzia de favores:

   a)    valorize a sua capacidade de organizar o raciocínio; torne-se um pesquisador;

   b)    liberte-se das imposições, proibições, dos dogmas e preconceitos; tome decisões conscientes;

   c)    leia para se informar, mas evite inundar-se de problemas;

  d)    busque compreender os fatos que contrariar o seu ponto de vista, isento de medos e pré-julgamento, especialmente sobre as Leis da Vida;

   e)    avalie tudo com calma e bom-senso para não perder a Razão;

   f)    aja como um pensador crítico e sábio; sirva-se da liberdade de  expressar os pensamentos. A partir daí, vasculhe informações sobre os temas que mais o (a) incomodam e lhe despertam interesses, lembrando que só podemos entender as coisas a partir da nossa própria percepção.  

    Estando, esta obra, alicerçada em fatos relacionados com a vida física e espiritual do Homem é lógico que aborde a problemática da Reencarnação. (Reencarnação - Re= retorno.  Encarnação = ato de encarnar, estar novamente na carne; habitar novamente um corpo físico), fenômeno este, considerado por muitos uma utopia. No entanto, os que não se detém no resumido pensamento materialista, correm atrás de algo mais: informações, pesquisas, estudos, testes que apontem luz nos mistérios das metamorfoses da Vida. 

    Dentre outros temas, destacam o milagre do nascimento, ou seja, o retorno do Espirito em um corpo físico. A concretização da Reencarnação se dá apenas no momento do nascimento. Esta é uma questão das mais intrigantes, no entanto, fortemente encaixada no conceito, na definição das Verdades da Vida por configurar, dar forma a realidade que estampa a Justiça Divina e que, pela lógica, já devia fazer parte da vivência humana. 

    A vida sempre oferece várias opções. A escolha é livre, mas feita a opção, obrigatóriamente serão nossos os resultados. Sejam eles negativos ou positivos. Incluindo-me dentre os "ainda ignorantes" quanto as questões espirituais do homem (não somos seres materiais e sim espirituais), reconheço não haver mais como alimentar o entorpecimento, a desinformação ou indiferença perante a mecânica da própria existência. 

    É difícil nos dias atuais, permanecer por mais tempo atrelados às informações resumidas ou mal explicadas como: a fábula de Adão e Eva; os nascimentos de pessoas saudáveis em famílias ricas; doentes em famílias sem recursos financeiros; o porquê do acesso integral a todas as condições básicas da vida ao alcance de muitos, ao passo que, em milhões de lares, a miséria é quase que uma constante; o fenômeno da comunicabilidade entre os dois mundos, o Visível e o Invisível pela Mediunidade, faculdade esta, considerada natural e inerente ao ser humano e, pela qual, se estabelecem as relações entre homens e espíritos. Em mentes atentas e desbravadoras, deve aflorar a seguinte pergunta: Se perante Deus somos todos irmãos, qual o mecanismo oculto ao nosso entendimento estampa a justiça, a imparcialidade e o amor incondicional do Criador nestas e em outras ocorrências da vida? 

    Retomando a questão da Reencarnação, entende-se que, somente os sequentes retornos ao mundo físico pela porta da reencarnação, (ato de retornar à carne, habitar novamente um corpo físico) enseja aos filhos do Criador, efetuar sua caminhada evolutiva lenta, natural e gradativa.  Cada nova existência, em outro meio e local de vivência terrena, sob outras condições físicas e morais, territoriais e sociais, as oportunidades se apresentarão a cada um, dentro das normas justíssimas da Lei da Causa e Efeito. 

    Pela Reencarnação, esquecidos temporariamente das vivências pretéritas, dos erros e acertos, dos amigos e dos inimigos do passado próximo ou distante, novamente ocupamos, por um período de vida previamente programado, um novo banco no Educandário Terra. No campo de mais uma abençoada oportunidade de vida terrena, promovemos nova semeadura e, ao mesmo tempo, colhemos o plantio pretérito - legado segundo as nossas obras.  Repetiremos o ano letivo na Escola Terrena tantas vezes quantas forem necessárias. Ficando, assim, transparente a coerente organização da ordem, do progresso e da justiça que regem o Universo sem participação alguma do acaso, da sorte, do azar ou preferências, mas sim, da ação do livre arbítrio; configurando a Suprema Justiça do Criador no sábio programa da Criação.  

    A meta do Ser Divino que é o Homem resume-se em: evoluir moral e espiritualmente. A reencarnação, segundo crença espírita e espiritualista, se apresenta como sublime oportunidade evolutiva para reparar erros e aquietar a própria consciência. Simples assim!  Não precisamos, necessariamente, ser ESPÍRITAS para alimentar uma ideia racional de que, Deus não tem pressa; com sabedoria e paciência paternal, disponibiliza aos filhos, tantas oportunidades quanto forem necessárias para que brilhe a Luz de todas as virtudes gravadas na Alma de cada um. Na caminhada evolutiva... A bondade divina não impõe excesso de velocidade na estrada que conduz à estação angelical, sob pena de severa multa aos aligeirados que esquecem as regras do bom trânsito entre irmãos. Não há imposição de prazo evolutivo, porém, há de se remover os estacionados indevidamente, para bom fluxo de todos..." (Transição Planetária de A a Z organizadas por Sidnei Carvalho).

    No início do 3º milênio, quando a globalização interliga os continentes mesclando Filosofia, Medicina, Religião e Ciência, o Homem cada vez mais exigente, se lança à busca de explicações dentro e fora de si. Especialmente no item religião, no Ocidente, o conceito reencarnacionista, herança das filosofias orientais, ainda é motivo de zombaria e discussão. Continua forte no pensamento ocidental, a ideia católica de morrer e permanecer no sono profundo aguardando a ressurreição dos mortos (juízo final), que dará para aos bons, vida eterna no Céu e aos infelizes que pecaram justamente por ignorar as Leis da Causa e Efeito, vida eterna no Inferno.

    Em todas as camadas sociais e intelectuais, mesmo sem o devido entendimento, os fenômenos da Reencarnação e do Karma são, muitas vezes, considerados como uma coisa ruim ou algo absurdo (Ver capítulo IX- O Destino em Nossas Mãos). Ao mesmo tempo, ferrenhamente defendidos pelos reencarnacionistas, os temas estão cada dia mais presentes nos meios de comunicação, em debates, pesquisas e estudos. Dentre os mais jovens e libertos de preconceitos, nota-se a ânsia de saber e entender mais sobre o Espírito, a Morte, a Reencarnação, o Karma, a Mediunidade e o Dharma.

    Fato interessante é que a grande parte da população (mais de 7 bilhões), que atualmente vivem no Planeta Terra, por puro desconhecimento, tem medo de espíritos ou almas. Se este for o seu caso, você tem medo de você mesmo, de seus parentes (esposa (o), filhos, pais, irmãos...), vizinhos, colegas, amigos vivos ou mortos, pois são todos espíritos vivendo em diferentes mundos: uns, no material dentro de um corpo físico (vivos-encarnados); outros, no espiritual, sem o corpo físico (mortos-desencarnados) e você forma opinião errônea sobre o que é espírito, o que é  encarnação, desencarnação, morte. Vejamos o significado das palavras:

  • Espírito Novo Dicionário Aurélio 1ª edição, 13ª impressão [do latim spiritu] – 1 Parte imaterial do ser humano; a Alma. 2. Dicionário Espírita On-Line - Princípio inteligente. Os Espíritos são os seres inteligentes que povoam o Universo.
  •  
  • Encarnação - Novo Dicionário Aurélio 1ª edição, 13ª impressão [do latim incarnatione] – 1. Ato ou efeito de encarnar, estar na carne. 2. Dicionário Espírita Web On-Line – Espaço de tempo que o Espírito passa mergulhado num corpo material. Diz-se Espírito encarnado, em oposição a Espírito desencarnado. A encarnação pode ocorrer na Terra ou em outros mundos. A rigor, seria apenas o primeiro nascimento, sendo reencarnação os subsequentes.
  •  
  • Desencarnação Novo Dicionário Aurélio 1ª edição, 13ª impressão [ des – ação contrária ] – 1. Ato ou efeito de desencarnar, isto é, deixar a carne, passar para o mundo espiritual (morrer).  2. Dicionário Espírita –Web-On-Line - Desencarnação (ato de deixar a carne; momento em que o Espírito ou a Alma deixa o corpo físico), ocorre depois do processo da morte orgânica, diferindo em tempo e circunstância, de indivíduo para indivíduo, podendo ser rápida, logo após a morte, ou se alongar em estado de perturbação, conforme as disposições psíquicas e emocionais do Ser Espiritual.
  •  
  • Morte - Novo Dicionário Aurélio 1ª edição, 13ª impressão [do latim morte] 1.  Fim da existência; termo da vida.  2. – Dicionário Espírita Web On-Line -  Aniquilamento das forças vitais do corpo pelo esgotamento dos órgãos. O  corpo privado do princípio da vida orgânica, a alma se desprende dele e reingressa no mundo dos Espíritos. Etimologicamente, morte significa cessação completa da vida do homem, do animal, do vegetal. Genericamente, no entanto, a  morte é transformação. Do ponto de vista espiritual, morrer nem sempre é  desencarnar, isto é, liberar-se da matéria e das suas implicações. A desencarnação é fenômeno de abandono do corpo somático por parte do Espírito que, por sua vez, se desimanta dos condicionamentos e atavismos materiais, facultando a si mesmo, plenitude de ação e de consciência. Assim, a morte é um fenômeno biológico, término natural da etapa física.

 

O  MEDO DA MORTE É O ARQUÉTIPO

 DE TODOS OS MEDOS

 

  • "O homem moderno, pesquisador da estratosfera e do subsolo, esbarra ante os pórticos do sepulcro, com a mesma aflição dos egípcios, dos gregos e dos romanos de épocas recuadas. Os séculos que varreram civilizações e refundiram povos, não transformaram a misteriosa fisionomia da sepultura. Milenário ponto de interrogação, a morte continua ferindo sentimentos e torturando inteligências..." (Obreiros da Vida Eterna – Francisco Cândido Xavier).
  •  
  • A inevitabilidade do fenômeno da morte é um assunto que incomoda e assusta boa parte da população do nosso planeta. Mas, a morte é a única certeza da vida e está enquadrada nos acontecimentos normais da existência orgânica, mas não a do Espírito. A capacidade de entendimento do significado de algo, ou da percepção de algo, promove confiança e crescimento interno com acentuado reflexo externo. 
  •  
  • Como seres humanos, nossa existência está incrustada num infinito ciclo de experiências e alternâncias nos planos: físico e espiritual ou "nascimentos e mortes". Se considerarmos essas idas e vindas entre os dois mundos  o "visível e o invisível" uma realidade, desmistificaremos grande parte dos fenômenos causadores dos medos que nos aterrorizam. 

    O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta, desespero e insegurança mediante algo que desconhecemos, ou desconhecemos os resultados. Já, o conhecimento, dá uma ideia, uma noção das coisas, anulando ou enfraquecendo o medo.  Sem medo, a Alma fica serena e analisa melhor o fato. Não vejo muitas alternativas senão, incluir o fenômeno MORTE em nossos estudos. Na busca por informações, constatamos que nenhuma ciência estuda, discute, pesquisa, analisa, se debruça sobre os fenômenos da Vida e da Morte, tanto quanto a Ciência Espírita. Motivos que nos levaram a utilizar a abrangente fonte de informações contidas na Ciência, Filosofia e Religião desta Doutrina.

  • Morte natural - O processo da morte natural, ocorre quando o organismo perde a capacidade de produzir e conservar uma quantidade mínima de Fluido Vital - Também chamado de Princípio Vital - é uma forma modificada do Fluido Cósmico Universal. Ele é o elemento básico da vida.
  • Morte acidental - Ocorre quando uma lesão mais séria no corpo físico, provoca uma taxa de escoamento do Fluído Vital, em quantidade superior a capacidade de o corpo produzir este fluído.

 

    O QUE ACONTECE COM O ESPÍRITO 

QUANDO MORREMOS?

 

    Quem não cultiva um secreto desejo de saber e querer entender o inevitável acontecimento? A morte é a única certeza que se tem neste mundo! – quem nasce inevitavelmente um dia haverá de morrer!  Mas, de forma paradoxal é com isso que menos nos preocupamos, ou “fingimos” estar despreocupados. Em todas as camadas sociais e intelectuais, em todas as idades, evita-se falar do fenômeno. Da morte, pouco sabemos e do que sabemos, nada ou quase nada falamos ou explicamos aos filhos: crianças ou jovens. É um tema “proibido” - mascaramos o acontecimento e seguimos despreparados para o enfrentamento do inevitável.

    Segundo a Doutrina Espírita, o que supomos ser o fim é apenas uma mudança, uma troca de vestimenta, de estado; o virar da moeda para a outra face. A morte não muda a nossa individualidade, não livra o indivíduo das imperfeições, dos vícios, como também não elimina as virtudes já desenvolvidas. Isto é, continuamos com os mesmos conhecimentos, qualidades e defeitos que tivemos na Terra. As idas e vindas, as alternâncias entre os mundos material e o espiritual acontecerão até atingirmos maturidade espiritual. A que abre totalmente os poros da consciência  moral.

    O Espírito, após deixar o corpo físico, será atraído vibratoriamente para determinadas regiões do mundo espiritual com as quais se afiniza moralmente. Os excessivamente apegados à vida material, permanecerão temporariamente presos ao mundo terreno, acreditando ainda fazer parte deste. Essa situação permanecerá por certo tempo até que ocorra, naturalmente, um descondicionamento psíquico. A partir desse ponto, passará a viver em colônias espirituais onde iniciará um preparo para, mais tarde, retornar em novo período de vida na Terra ou em outra Morada da Casa do Pai. Os que já conquistaram certo grau evolutivo não mais necessitarão, para a continuidade da sua evolução espiritual um corpo físico. Iniciarão nova fase de vida em planos (moradas) mais elevados, dando prosseguimento ao processo evolutivo no campo do Trabalho, do Saber e do Bem.

 

..