O Universo Pulsante de Deus

O Universo Pulsante de Deus

Capítulo  III

 

 A crença na íntima ligação com uma inteligência superior  que  cria

 e organiza o Mundo e a Vida, esta  na  natureza  do Homem. 

A criatura humana traz na alma a vontade de encontrar  

suas  raízes e descobrir, sempre mais, 

o que ainda se encontra oculto.

 

        Como a nossa compreensão sobre o Universo e a Vida ainda é resumida, encontramos dificuldade para nos posicionar. Perguntas sobre os mistérios de Deus, do Universo e da Vida sempre habitaram o pensamento humano que, desde os primórdios, desejou conquistar o espaço e alcançar as estrelas. Com a evolução da Ciência, cada vez mais, os mitos e as religiões perdem espaço para a razão e muitos mistérios outrora insolúveis, já foram, estão e serão solucionados. Todavia, apesar de o Homem  ter chegado à Lua e explorado grande parte do Sistema Solar, muitas perguntas ainda são as mesmas: O Universo é finito?  De onde e como surgiu?  Criou-se sozinho ou foi criado por um ser denominado Deus?  Afinal, "Quem ou Que é Deus"?  Ele já existia antes da Criação? Será Ele parte do Universo ou é o próprio Universo?

        Buscar respostas para esses questionamentos é querer entender um pouco mais sobre: 

  • Eu quem sou? De onde vim e de que forma meus pais detinham os ingredientes que, juntos (espermatozóide e óvulo), desencadearam o milagre da minha vida?
  • Por que, para que vim e para onde vou?  
  • E os verdadeiros motivos pelos quais uns nascem na indigência e outros na opulência? 
  • Qual ou quais os fatores que levam tantas pessoas a nascer com anomaslia ou desenvolver deficiências na visão, na audição, na fala, locomoção ou enfermidades incuráveis, enquanto outras nascem e conservam todas as vantagens físicas?
  •  
  • Mediante os fatos, o que devemos considerar? São eles, efeitos do acaso ou da Providência? 
  • Se for o acaso, não é a Providência! Sendo ação da Providência, como entender as diferenças sociais, as dores e as injustiças? 
  • Seria, talvez, pela falta de maior compreensão das Leis que regem a Vida que, muitas vezes, consideramos injustas as nossas dores e infortúnios?

        Entre as perguntas acima e as que seguem, algumas devem despertar interesse.  Mas, a partir do momento em que nos deparamos com temas polêmicos, mesmo sentindo os cutucos da curiosidade, nosso primeiro impulso geralmente é, recuar por pouco saber e isto leva ao desinteresse em pensar, analisar, questionar e desejar entender ou, simplesmente, para não se comprometer - talvez por medo de ser taxado de louco, especialmente quando se questiona:

  • Quais as regras que determinam o destino do indivíduo? Em que país, estado, cidade e em que condições de vida e saúde este ou aquele deve nascer, levando-se em conta a atuação da Justiça Divina?
  • Filhos de Deus deuses são? Somos ou não, seres que transcendem o mundo físico, extensão da perfeição de Deus? Sendo resposta afirmativa, como entender as desigualdades sociais, físicas, morais e intelectuais em todo o Planeta?
  • Considerando ser Deus, infinitamente justo, quais os fatores determinantes para os nascimentos em famílias ricas, pobres ou miseráveis; filhos de japoneses, árabes, europeus, brasileiros... Cor branca, amarela, parda ou negra?
  • Somos apenas um corpo de células criado para uma existência que se encerra entre o berço e o túmulo? Para uns, vazia e sofrida, mergulhados nas desigualdades de todas as formas; já, para outros, boa saúde, educação, vida rica e muito esbanjo?
  • E a saúde, as doenças, as fatalidades, as deficiências, o período de vida de cada um, de que maneira são estipuladas? Porque vida longa para determinado número de pessoas enquanto outros, o curso da vida é interrompido em plena juventude? Há os que nem chegam a nascer, ficando sem a mínima chance de concorrer ao “sorteio” do destino, exemplo: nascer de cor branca, rico e saudável? Existe ou não, direitos nas escolhas?
  • E a Morte, o que me espera depois? Não é um direito, o Homem entender o mecanismo dos fatos mais relevantes da sua existência, a Vida e a Morte
  • E as almas dos mortos desde que o Homem povoou a Terra, permanecem deitadas, em fila ou empilhadas, dormindo ou acordadas em trabalho na seara do bem? Estariam ociosas pelos jardins do Paraíso, fazendo exatamente o que esses anos todos? Somente os santos permanecem despertos, servindo ao próximo, evoluindo, operando milagres? O Espírito continuaria vivendo de outra forma, em outra morada e com outro corpo exatamente como explicam as doutrinas reencarnacionistas?
  • Quanto aos pecadores que já morreram; foram-se, juntamente com a passagem para o mundo dos espíritos, as oportunidades nas quais, conscientemente poderiam reparar seus erros ou equívocos que os habilitariam a entrar na morada da felicidade eterna?
  • Em famílias com vários filhos, somente um nasce com deficiência física; qual teria sido a sua infração? Como e em que época teria cometido o delito que o fez merecedor de tão dura punição? Se, realmente são desígnios de Deus ou resultados dos pecados dos pais (pecado original) como pregam algumas religiões, não seria lógico e justo todos os filhos dos mesmos pais, nascerem com a mesma deficiência (hereditariedade sem discriminação)? Afinal, o filho deve ou não ser punido pelos erros dos pais, herança de Adão e Eva? O que pensam os pais sobre a questão? 

         Em dado momento a vida nos convida a pensar e questionar. E as questões precisam ser percebidas e avaliadas. Se a vida vem de Deus e somos seus filhos (é crença universal), há de se crer também que herdamos a genética divina e igualdade de direitos. Consequentemente, a vida não acaba com a decomposição do corpo físico pois, Deus é imortal e nós, seus filhos. Certamente, para a grande maioria das perguntas, deve haver explicações lógicas e convincentes que justifiquem a presença da Justiça Divina e a inteligência no Homem. Considerando as leis naturais que regem os mundos e a vida, de perfeita ordem e inquestionável justeza e, seguindo uma ordem de ideias, hoje, os questionamentos e a procura pelo entendimento dos fatos, estão mais presentes não só na minha, mas na mente de uma atenta e considerável parcela da Humanidade.

 

Adão e Eva 

discriminação e machismo milenar

 

        O trágico e mal explicado capítulo de Adão e Eva, que instalou desastrosas diferenças em favor do masculino, vem arrastando o feminino por caminhos das desigualdades sociais, familiares e, em especial, culturais há milhares de anos. Do Oriente ao Ocidente, na antiguidade ou na atualidade, em todos os povos e épocas, nunca foi reconhecido o significado da presença e a importância do gênero feminino na Terra. Não quero fazer apologia feminista, apenas salientar valores humanos fundamentais isto porque é desnecessário lembrar que a vida do ser humano em nosso planeta só existe porque existem mulheres gerando, amamentando, criando. 

      O privilégio de ser mãe lhe foi concedido ou, quiçá, solicitado, determinado, implorado o ensejo. Ainda são incalculáveis os Mistérios da Vida a serem desvendados e ou compreendidos! Sejam quais forem os motivos, o fato de ser Mãe já é suficientemente grandioso, único e sagrado. No entanto, mesmo conquistando lentamente alguns direitos, na mulher o estigma ainda é forte e oprime, mata, humilha, discrimina. Desrespeitada ou calada a força, estuprada, mantida em cativeiro, baleada, queimada, amordaçada, apedrejada ou espancada, ela, incansavelmente, busca o reconhecimento pelo direito à Vida tal qual o homem: sem opressão, imposição ou discriminação. Neste contexto, por conta de uma história mal contada, Deus tem sido considerado um pai machista e discriminador, vingativo e punidor, dando a entender que distribui sem justificativas plausíveis, prêmios e castigos diferenciando os gêneros.

        Partindo da teoria do pecado original e, sendo verdadeira a frase de Cristo: " A cada um segundo suas obras..." (lei da ação e reação), não seria infantilidade atribuir nossas desgraças à desobediência de Eva e Adão; ou simplesmente aos desígnios de Deus, como colocam alguns segmentos religiosos? 

     O pecado original não pode mais ser aceito, hoje em dia, no sentido de um homem e de uma mulher que pecaram e a Humanidade ainda sofre duras consequências. Reconhecendo em Deus um ser de inquestionável justiça é necessário modificar o entendimento desta parte da Bíblia e ver, nela, a Limpidez e a Movimentação do Pensamento Divino. É difícil crer que o Homem já nasce pecador (pecado original), herança da gula e desobediência de Eva. Imaginemos uma mãe indisciplinada e gulosa em um pomar com variedades de frutas, comendo justamente uma maçã proibida! O que o seu filho tem a ver com a infração da sua mãe? Na opinião do famoso psicanalista alemão, Erich Formm:

  • O pecado original simboliza a conquista da razão. "A partir do momento em que algumas espécies animais, parentes dos símios antropoides, ensaiaram os primeiros passos do raciocínio, saíram da Natureza, isto é, deixaram de ser conduzidas e se viram na contingência de caminhar com seus próprios pés. Surgia, assim, o Homem, o ser pensante que perdia o paraíso ou, mais exatamente, a plena identificação com a vida natural" (Livro - A Constituição Divina – Richard Simonetti). 

        Não se pode ignorar que trazemos no DNA o código genético de Deus, o que determina a nossa verdadeira essência não cabendo nela, pecado original algum e, tampouco, há lógica supor que Deus cometa equívoco ou injustiça.

      Quanto ao pecado mortal, a “Revista Despertai” de 08/10/1970, nas páginas 8 e 9, aborda a polêmica - Comer ou não comer carne, eis a questão! O que faz mal (ao Espírito)? O que entra ou o que sai da boca do Homem? Pesquisando sobre tal questionamento, a Biblioteca Digital em 25/09/2004, disponibilizava a seguinte matéria:

  • "... Cuidado! Não faça experiência para comprovar. Mas, o que sai da boca procede do coração e isso contamina o Homem. Porque, do coração procedem maus pensamentos, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o Homem. Mesmo assim, os devotos evitavam criteriosamente comer carne nas sextas-feiras.  Deixando de obedecer à Igreja, poderiam levar um castigo eterno em num inferno de fogo. Em princípios de 1966, o Papa Paulo VI autorizou as autoridades eclesiásticas locais, a modificar esta regra de abstinência em seus países conforme achassem adequado. O efeito sobre muitos católicos devotos foi devastador.
  • - Todos esses anos  pensei que fosse pecado comer carne!  Explicou certa dona de casa na região Centro-Oeste dos EUA. Agora, subitamente, fiquei sabendo que não é pecado! É difícil entender! Se for católico, você pode entender como certa prática, considerada pela Igreja como pecado mortal, possa subitamente ser desconsiderada? Se há cinco anos era pecado que levava ao Inferno, por que hoje deixou de sê-lo? 
  • Muitos católicos não conseguem entender por que Deus criaria uma lei fundamental para a salvação e, mais tarde, considerá-la-ia desnecessária. Quando se perguntou a certa senhora no Canadá, como ela se sentia a respeito das mudanças em sua Igreja, replicou: Não sei, talvez possa dizer-me! O que irão fazer com todas aquelas pessoas que morreram e foram enviadas para o Inferno por comerem carne na sexta-feira? -  Não são poucos os católicos que ainda fazem tais perguntas".

        Na Igreja Católica aprendi que, cometendo pecado mortal ficamos sujeitos à morada eterna no inferno; às penas temporais que são os sofrimentos e as tribulações... Porém, quando nos arrependemos dos pecados e recebemos, através da confissão e, em nome de Deus a absolvição, somos imediatamente perdoados.  As dúvidas persistiam e brotavam questionamentos carentes de respostas coerentes. 

  • Simplesmente confessar os pecados e manifestar arrependimento sem que haja a reparação do dano causado ao próximo ou a si mesmo, anularia a infração? 
  • Sendo Deus infinitamente justo, o que justificaria tanta facilidade e comodidade para com o infrator? 

        Quando paramos para analisar como algo se apresenta e deparamos com fatos que a nossa razão se recusa aceitar, podem ocorrer situações como:

  • Desconsideramos o que vimos ou ouvimos por lhe faltar lógica que leva, muitas vezes, ao desinteresse sobre o fato.
  • Sentimos acelerar a curiosidade e nos lançamos à busca por explicações que satisfaçam a nossa compreensão e razão.
  • Mudamos de religião, crença, partido... Por divergências.  

        Diante das dúbias respostas, dos porquês e dos acasos é importante, antes de qualquer julgamento ou atitude, procurar entender os fatos com base na sensatez sem preconceitos. 

 

 

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